Minha florzinha libriana completou, nesse dia 21, seus "dôs anosss". Parece que, num pulo mágico, virou criança completamente, já sem nenhum resquício do bebezinho de mamãe. Quando hoje olho as fotos da bebê Inaê, a sensação é de que era mesmo uma outra pessoinha...não estranho muito isso, já que um dos argumentos que buscam demonstrar a lógica da reencarnação é de que mudamos de corpos muitas vezes nessa vida. Tenho o mesmo sentimento sobre mim, ao me ver em fotos de décadas atrás. Nem tanto; em menos de uma década, sou tão outro corpo, compreensões, idéias! Firmada, cada vez mais - espero - a essência, com a experiência e o exame incansável.
Assim vejo a minha menininha crescendo, mudando o corpo, compreensões e idéias também. Começou, nessa semana, a brincar de boneca pra valer; agora sim, vejo-a se esquecer na brincadeira, dando vida aos bonequinhos, como princesas, príncipes, mamães e nenês. Agora sim, sinto mais fácil arranjar brincadeiras, porque entende perfeitamente o faz-de-conta e embarca atenta, de olhos grandes, como quando peguei uma de suas bonecas de longos cabelos (presente do aniversário de 2 anos) e contei com outro boneco de pano a história de Rapunzel. Gostou tanto que pediu para que eu contasse de novo e saiu narrando: "aí ele subiu, subiu...pegou o tavalo...". Agora sim, é mais fácil ensiná-la, quando entende a palavra acordo, obediência e palmadinha, se desobedecer.
Ainda sobre as fotos da bebê Inaê, sinto saudades daquele corpinho, mas não saudades de querer voltar - apenas saudades de quem vem sendo tão feliz.
Estou encantada com a criança que se vem se tornando Inaê.
quarta-feira, 28 de outubro de 2009
quarta-feira, 16 de setembro de 2009
Blochianas 3
Depois de beber bastante água de coco, brincando na sala, Inaê não conseguiu se segurar e lá se foi aquela cascata de xixi no chão...esperei que fizesse tudo, peguei pacientemente o pano de chão e comentei: "Ih, filha, foi a água de coco..."; ela respondeu de imediato: "não, mãe, foi xixi".
sexta-feira, 11 de setembro de 2009
Desmame
Agora Inaê vem aceitando a escolinha. Mais que aceitando, adorando. Afeiçoou-se bastante à "tia" Josi, que paciente e carinhosamente a acolheu nos braços nos momentos mais difíceis de adaptação. Tão diferente de meus primeiros dias em escola, com uma professora que só fazia reclamar do choro de quem se via pela primeira vez separada de casa!
Passado o primeiro mês, tive como tarefa acostumá-la a não mamar durante a tarde. Andávamos grudadas a um ponto de ter quase sempre a menininha pendurada no peito, já comprida e tão falante. Nesse desgrude, quero dizer, desmame, mãe e filha precisaram entender os novos contratos, e a Escola nos ajudou a compreendê-los.
Hoje comecei o processo de tirá-la do peito também pela manhã, mantendo apenas durante a noite e como primeira alimentação do dia. Sim, minha bebezinha de quase dois anos ainda mama a noite toda, praticamente de duas em duas horas. Foi bom enquanto durou, mas chegamos ao nosso limite. Sei da importância em lhe dar leite materno por todo esse tempo; minha criança vegetariana nunca tomou suplemento de ferro nem remedinhos de pediatras paranóicos, e vive com lábios vermelhos e bochechas coradas. Sem falar que anda correndo, grita a plenos pulmões e ama ficar acordada para viver a vida.
Abençoado leite de mãe, começo, vagarosamente, a lhe dar aDeus.
Passado o primeiro mês, tive como tarefa acostumá-la a não mamar durante a tarde. Andávamos grudadas a um ponto de ter quase sempre a menininha pendurada no peito, já comprida e tão falante. Nesse desgrude, quero dizer, desmame, mãe e filha precisaram entender os novos contratos, e a Escola nos ajudou a compreendê-los.
Hoje comecei o processo de tirá-la do peito também pela manhã, mantendo apenas durante a noite e como primeira alimentação do dia. Sim, minha bebezinha de quase dois anos ainda mama a noite toda, praticamente de duas em duas horas. Foi bom enquanto durou, mas chegamos ao nosso limite. Sei da importância em lhe dar leite materno por todo esse tempo; minha criança vegetariana nunca tomou suplemento de ferro nem remedinhos de pediatras paranóicos, e vive com lábios vermelhos e bochechas coradas. Sem falar que anda correndo, grita a plenos pulmões e ama ficar acordada para viver a vida.
Abençoado leite de mãe, começo, vagarosamente, a lhe dar aDeus.
Blochianas 2
Um certo dia eu estava a corujar Inaê, dizendo como ela era tão linda de mamãe. Então falei que ela tinha olhos lindos:
- Tão lindos os seus olhos...Inaê tem olhos que só Inaê tem...
Ela estranhou e respondeu:
- Juju (a prima) tem olho, tem!
- Tão lindos os seus olhos...Inaê tem olhos que só Inaê tem...
Ela estranhou e respondeu:
- Juju (a prima) tem olho, tem!
sexta-feira, 14 de agosto de 2009
Blochianas (da série: "Criança diz cada coisa...")
Inaê, com um ano e sete meses, mais ou menos, almoça com todo mundo reunido em mesa. Mamãe, titio Manuel, vovó...ela almoça uma quinoa com verduras, mas as preferências do tio trazem um prato de batata-palha à mesa, que ela avista e aponta:
- Eu telo!
Vovó e mamãe fazem cara feia. Vovó diz:
- Ih...isso é politicamente incorreto!
E ela, sem titubear:
- Eu telo intoleto, eu telo!
- Eu telo!
Vovó e mamãe fazem cara feia. Vovó diz:
- Ih...isso é politicamente incorreto!
E ela, sem titubear:
- Eu telo intoleto, eu telo!
terça-feira, 4 de agosto de 2009
Adaptação
Ontem foi o primeiro dia de aula de Inaê. Esperava um milagre: que ela entrasse no portão, virasse pra mim e simplesmente dissesse "vá trabalhar em paz, mamãe, vou ficar bem!".
Mas o milagre não aconteceu. Dessa vez, pelo menos. Seguindo o seu temperamento desconfiado, brincou de areia, de lama, de massinha, de abraçar os coleguinhas...mas sempre de olho em mim, com medo que eu sumisse de vista. Nessa fase de adaptação, pude passar a primeira tarde pertinho dela e das outras crianças que "adotei" na ausência triste da mãe.
Acordei hoje quebrada - parece que fiz uma corrida de obstáculos! - e preocupada. A felicidade da novidade deu lugar ao conhecido temor das mães sobre o momento da "separação"; o medo de que ela se desespere, fique traumatizada, perca a confiança em mim. Inaê, de tão sabida, também acordou hoje grudada em minhas pernas, buscando a minha mão o tempo todo. Com alguma dificuldade, consegui que fosse brincar com os priminhos agora.
Minha menininha vem vivenciar os primeiros desafios do crescimento nesse plano... a ilusão da separatividade e o medo de perder batendo à porta. Não posso, porém, poupá-la disto. Afinal, esse é o grande mistério de nossa humanidade.
Mas o milagre não aconteceu. Dessa vez, pelo menos. Seguindo o seu temperamento desconfiado, brincou de areia, de lama, de massinha, de abraçar os coleguinhas...mas sempre de olho em mim, com medo que eu sumisse de vista. Nessa fase de adaptação, pude passar a primeira tarde pertinho dela e das outras crianças que "adotei" na ausência triste da mãe.
Acordei hoje quebrada - parece que fiz uma corrida de obstáculos! - e preocupada. A felicidade da novidade deu lugar ao conhecido temor das mães sobre o momento da "separação"; o medo de que ela se desespere, fique traumatizada, perca a confiança em mim. Inaê, de tão sabida, também acordou hoje grudada em minhas pernas, buscando a minha mão o tempo todo. Com alguma dificuldade, consegui que fosse brincar com os priminhos agora.
Minha menininha vem vivenciar os primeiros desafios do crescimento nesse plano... a ilusão da separatividade e o medo de perder batendo à porta. Não posso, porém, poupá-la disto. Afinal, esse é o grande mistério de nossa humanidade.
terça-feira, 7 de julho de 2009
Férias e Ocupações
De férias das aulas na faculdade, alívio. Posso curtir melhor minha filhota, sem tantos estresses de ter de conciliar o trabalho produtivo com o trabalho reprodutivo...estou sem babá há quase dois meses, e nesse tempo só foi a ajuda de minha mãe que me possibilitou continuar saindo de casa pra trazer o pão de cada dia. Mas ela tem sua própria vida a cuidar, foi transitório.
Agora, umas férias de ocupação. O orçamento aperta, aperta, sem previsões futuras. O mercado da educação é traiçoeiro, te manipula com as horas-aulas que podem ser um tanto, podem não ser nada. No caso, agora, bem pouco, muito pouco.
E ainda preciso colocar Inaê numa escolinha nesse semestre. Questões materiais e psicológicas: hora do desmame gradual, da reativação dos enlaces, da autonomia crescente da menininha, dos impactos no orçamento doméstico. Da incerteza.
Quanta coisa é ser mãe.
Agora, umas férias de ocupação. O orçamento aperta, aperta, sem previsões futuras. O mercado da educação é traiçoeiro, te manipula com as horas-aulas que podem ser um tanto, podem não ser nada. No caso, agora, bem pouco, muito pouco.
E ainda preciso colocar Inaê numa escolinha nesse semestre. Questões materiais e psicológicas: hora do desmame gradual, da reativação dos enlaces, da autonomia crescente da menininha, dos impactos no orçamento doméstico. Da incerteza.
Quanta coisa é ser mãe.
segunda-feira, 29 de junho de 2009
Sono
Novos dentes, imunidade baixa, gripe; noite ruim, tosse pesada. Acorda às 3h, quer brincar, ora quer dormir e não consegue. Só vem conseguir dormir, bichinha, às 6h. E eu preciso ficar acordada de vez (?) pra ir trabalhar agora pela manhã.
sexta-feira, 5 de junho de 2009
Frases de Inaê
- É Tate, mamãe (ou Baia)...fala! (me entregando o telefone pra falar com Nate ou Bárbara)
- Ana Paia? Tá ceto...besu (brincando de conversar com Ana Paula num telefonema imaginário)
- Tanine? Melolou? Dodói, Tanine? (brincando de conversar com Janine num telefonema imaginário)
- Telo i po tato (quarto) de Juju, mamãe.
- Eu telo dumi não mamãe. (dita dia desses às 4h30 da madrugada)
- Tô aqui, mãe. (quando ela some da minha vista e percebe que a estou procurando)
- Telo não.
- Eu telo isso.
- Vovó deu.
- Juju (ou Chiquito) mindo. (dormindo)
- Um, dos, tês, tato, cinco, sês, tete, oto, nove, deeeeeeez.
- Ana Paia? Tá ceto...besu (brincando de conversar com Ana Paula num telefonema imaginário)
- Tanine? Melolou? Dodói, Tanine? (brincando de conversar com Janine num telefonema imaginário)
- Telo i po tato (quarto) de Juju, mamãe.
- Eu telo dumi não mamãe. (dita dia desses às 4h30 da madrugada)
- Tô aqui, mãe. (quando ela some da minha vista e percebe que a estou procurando)
- Telo não.
- Eu telo isso.
- Vovó deu.
- Juju (ou Chiquito) mindo. (dormindo)
- Um, dos, tês, tato, cinco, sês, tete, oto, nove, deeeeeeez.
quarta-feira, 22 de abril de 2009
Palavras
Parece exagero de mãe, mas aos dois meses Inaê já demonstrava precocidade na elaboração dos sons. "Conversava" um tanto, balbuciava sílabas complexas - fazia um trrrrrrrrrr que admirava todo mundo. Exageros à parte, agora, com um ano e meio, minha menininha (ela mesma se chama: me-ni-ni-nha!) fala pelos cotovelos, até parece uma geminiana. Sai repetindo tudo que ouve e busca elaborar frases lá do jeitinho dela.
Na semana passada, enquanto eu estava fora, ela saltou do cercado (desde então aposentado) e levou um baque daqueles que fez todo mundo se aperriar. Foi tanto aperreio que a avó pediu à babá que deixasse pra ela mesma, minha mãe, me contar o que aconteceu. Quem disse? Assim que eu cheguei, foi ela mesma, Inaê, quem me contou.
- Minha flor!, festejei assim que cheguei da rua - Mamãe chegou. Como você tá?
- Aiu (caiu), respondeu.
- Caiu, florzinha? Mas onde?
- Cadado (quadrado, como a babá chama o cercado).
Olhei para a babá buscando entender o que significava cair do cercado. Foi quando a babá me confirmou ter ela saltado de lá e caído.
Apesar do acontecido, fiquei satisfeita, porque ela estava bem, sem machucões e, principalmente, porque ela já sabe contar as coisas. É um grau de autonomia que me deixa mais tranqüila em sair.
Hoje ainda Inaê saiu com uma que deixou mamãe e vovó orgulhosas: quando eu saía da casa de minha mãe, disse pra Inaê que íamos escovar os dentinhos e dormir. Sabem o que Inaê fez? Olhou para a avó, estendeu a mãozinha e disse:
- Fofó...avencha! ("a bênça", como eu digo pra ela pedir a avó sempre antes de dormir).
Não é uma menininha super fofa?
Na semana passada, enquanto eu estava fora, ela saltou do cercado (desde então aposentado) e levou um baque daqueles que fez todo mundo se aperriar. Foi tanto aperreio que a avó pediu à babá que deixasse pra ela mesma, minha mãe, me contar o que aconteceu. Quem disse? Assim que eu cheguei, foi ela mesma, Inaê, quem me contou.
- Minha flor!, festejei assim que cheguei da rua - Mamãe chegou. Como você tá?
- Aiu (caiu), respondeu.
- Caiu, florzinha? Mas onde?
- Cadado (quadrado, como a babá chama o cercado).
Olhei para a babá buscando entender o que significava cair do cercado. Foi quando a babá me confirmou ter ela saltado de lá e caído.
Apesar do acontecido, fiquei satisfeita, porque ela estava bem, sem machucões e, principalmente, porque ela já sabe contar as coisas. É um grau de autonomia que me deixa mais tranqüila em sair.
Hoje ainda Inaê saiu com uma que deixou mamãe e vovó orgulhosas: quando eu saía da casa de minha mãe, disse pra Inaê que íamos escovar os dentinhos e dormir. Sabem o que Inaê fez? Olhou para a avó, estendeu a mãozinha e disse:
- Fofó...avencha! ("a bênça", como eu digo pra ela pedir a avó sempre antes de dormir).
Não é uma menininha super fofa?
terça-feira, 3 de fevereiro de 2009
A Função da Mamãe
A vovó de Inaê contou que, enquanto eu estava dando aulas, ela tentava distrair Inaê. Certa hora Inaê não agüenta mais e começa a choramingar "mamãe, mamãe...". A avó consola: "eu sou mamãe também". Inaê pára, séria, aponta para o peito da avó e pergunta: "eite?".
quinta-feira, 29 de janeiro de 2009
Do cordão umbilical materno
Depois de um ano e três meses, volto às ruas. Até então foi um período de casulo, com algumas poucas saídas, mas sempre mantendo a preferência da integralidade junto à Inaê. Trabalhando em casa, já fiquei de certa forma distante da filhota, ouvindo as brincadeiras com a babá, os choros, os chamados, enquanto estudava ou escrevia no escritório. Mas sempre com os ouvidos atentos, para socorrê-la, abraçá-la na carência, dar o peito, brincar um pouco, perceber que a água secava na panela.
Agora volto a trabalhar fora, e não foi sem uma certa dramaticidade que olhei para ela durante todo o dia de hoje, me preparando para a próxima semana em que a "separação" ocorre oficialmente. Sim, chorei. Esse é um misto de dó e alegria; alegria não somente pela questão profissional a ser desenvolvida, como pela necessidade financeira parcialmente resolvida, mas sobretudo pela necessidade de permiti-la fortalecer para nosso convívio mãe-e-filha, nosso reconhecimento, nossa prática amorosa. Afinal, Inaê tem uma mãe trabalhadora, para além da sua função materna e de dona-de-casa. Sou, também, assalariada, estudante, buscante, inventante de projetos, idéias, novidades, e ela deverá me conhecer assim, inclusive para receber meus exemplos. E a roda gira, e o mundo continua, e as crianças crescem.
O meu amor por essa menininha preciosa vem bravamente encontrando formas de deixá-la crescer - afinal, já saiu da minha barriga há um ano e três meses...
Agora volto a trabalhar fora, e não foi sem uma certa dramaticidade que olhei para ela durante todo o dia de hoje, me preparando para a próxima semana em que a "separação" ocorre oficialmente. Sim, chorei. Esse é um misto de dó e alegria; alegria não somente pela questão profissional a ser desenvolvida, como pela necessidade financeira parcialmente resolvida, mas sobretudo pela necessidade de permiti-la fortalecer para nosso convívio mãe-e-filha, nosso reconhecimento, nossa prática amorosa. Afinal, Inaê tem uma mãe trabalhadora, para além da sua função materna e de dona-de-casa. Sou, também, assalariada, estudante, buscante, inventante de projetos, idéias, novidades, e ela deverá me conhecer assim, inclusive para receber meus exemplos. E a roda gira, e o mundo continua, e as crianças crescem.
O meu amor por essa menininha preciosa vem bravamente encontrando formas de deixá-la crescer - afinal, já saiu da minha barriga há um ano e três meses...
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