Inaê fez ontem dez meses de nascida. Tão pouco tempo para minha referência balzaquiana; mas no espaço de um a-tempo sentimental, parece toda a vida. Desde que ela nasceu sinto que sempre fui mãe de Inaê. Talvez sim. Ou, quase certeza.
Agora é momento de começar a entender que ela vem precisando de novas dinâmicas. Já não depende mais de meu peito para se alimentar, apenas para o acalanto. O desmame é mais sofrível pra mim do que pra ela, percebo. Fico observando se tenho ainda bastante leite, e na mínima e gradual diminuição sinto um apertozinho no coração. Mas tenho a consciência de que não sou dona da moça, que ela veio pra cumprir sua própria e distinta missão. E que os novos alimentos são também o fortalecimento disso.
Rudolf Steiner ensina, no livrinho bem interessante intitulado "A Educação da Criança segundo a Ciência Espiritual", que até os sete anos a criança ainda está sendo "gerada" no corpo etérico da mãe, e com a mudança de dentição nessa idade é que seu próprio corpo etérico já está formado para se dissociar, qual um parto em um plano fino, do nosso corpo etérico. Não quer dizer, é o que penso, que já não demonstre sua autonomia e individualidade nessa fase: sinto-as tão presentes em Inaê, com esse tão pouquinho tempo de encarnação. Afinal, o espírito já nasce pronto. Só a sua consciência que vem se apresentando com o trabalho nesse plano.
Espero estar cumprindo bem minha missão de mãe, percebendo a hora de mudar junto das mudanças de Inaê.
sexta-feira, 22 de agosto de 2008
segunda-feira, 18 de agosto de 2008
Ar
Inaê é aventureira. Costuma escalar no meu colo, de um jeito que preciso improvisar em meus braços um equipamento próprio de segurança para os seus esportes radicais. A tia diz que ela está tentando voar, porque pensa que ainda é fada; a avó diz que ela pensa ser passarinho.
Mas suas últimas aventuras mesmo estão nas palavras; balbucia novas sílabas constantemente, elabora, pensa, olha, imita. Vai de mamã, titi, nã, nani (nananinanão), aô (alô), tá, qué, tente (pente) e outras experimentações feitas no calor das circunstâncias. E se ri toda pra estalar a língua em beijinhos. Leve como o Ar de que é feita sua leveza.
Mas suas últimas aventuras mesmo estão nas palavras; balbucia novas sílabas constantemente, elabora, pensa, olha, imita. Vai de mamã, titi, nã, nani (nananinanão), aô (alô), tá, qué, tente (pente) e outras experimentações feitas no calor das circunstâncias. E se ri toda pra estalar a língua em beijinhos. Leve como o Ar de que é feita sua leveza.
quarta-feira, 13 de agosto de 2008
Rio que Leva e Traz
Fui pela manhã a uma reunião no Recife Antigo, que nem se realizou como o planejado. Mas não desperdiçamos a manhã. Eu e minha amiga de trabalhos nos sentamos no Delta Café e saboreamos pequenas xícaras doces com um francezinho e um croissant, ao tema das atividades a serem pensadas, elaboradas e executadas.
Depois fomos, obviamente, à Livraria Cultura, às nossas compras livrescas. Eu estava há dias de olho num livrinho para Inaê, que em seus nove meses gosta de provar a todos que vê pela frente. Acabei comprando dois, um com um fantoche de dedo e outro com um mordedor de bolinhas coloridas.
Ao irmos embora, nos despedimos falando do rio. Disse à minha amiga gostar um tanto daquela parte de Recife, principalmente por ter de caminhar sobre a ponte para pegar o ônibus - a impressão, disse-lhe, é que essa passagem leva e traz pensa-sentimentos, algo como uma boa lavada da aura.
Caminhei sobre a ponte, pensando nos livrinhos dela, dela em casa ao chão se arrastando e se dependurando nos móveis. Ao final da ponte, já estava com toda a sua imagem formada em mente, recebendo os livrinhos, analisando-os de cima a baixo, frente e trás, olhando pra mim e dando sua risadinha já tão característica.
Cheguei então ao outro lado, como previa, mais limpa, com um sorriso no coração pela lembrança de sua risada.
Depois fomos, obviamente, à Livraria Cultura, às nossas compras livrescas. Eu estava há dias de olho num livrinho para Inaê, que em seus nove meses gosta de provar a todos que vê pela frente. Acabei comprando dois, um com um fantoche de dedo e outro com um mordedor de bolinhas coloridas.
Ao irmos embora, nos despedimos falando do rio. Disse à minha amiga gostar um tanto daquela parte de Recife, principalmente por ter de caminhar sobre a ponte para pegar o ônibus - a impressão, disse-lhe, é que essa passagem leva e traz pensa-sentimentos, algo como uma boa lavada da aura.
Caminhei sobre a ponte, pensando nos livrinhos dela, dela em casa ao chão se arrastando e se dependurando nos móveis. Ao final da ponte, já estava com toda a sua imagem formada em mente, recebendo os livrinhos, analisando-os de cima a baixo, frente e trás, olhando pra mim e dando sua risadinha já tão característica.
Cheguei então ao outro lado, como previa, mais limpa, com um sorriso no coração pela lembrança de sua risada.
terça-feira, 12 de agosto de 2008
Entendendo a Dor
Dia desses, ela tentava se levantar na porta de vidro da varanda. Deixei-a à vontade, observando de perto, sentada ao chão. Pôs força demais no impulso e, resultado, a cabecinha bateu no vidro da porta com algum impacto. Não tanto para fazer galo, mas o suficiente para traduzir na dor do experimento.
Pois agora toda vez que ela faz sua expedição na sala, chega perto devagarinho da porta e suavemente bate a testinha no vidro, como a lembrar que ali já houve dor.
Pois agora toda vez que ela faz sua expedição na sala, chega perto devagarinho da porta e suavemente bate a testinha no vidro, como a lembrar que ali já houve dor.
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