terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Irônica Aristotélica

Eu, mãe solteira, ouvindo Inaê brincar na sala com a babá. Na mão direita, a Política de Aristóteles, que leio ao mesmo tempo em que a mão esquerda, empunhando uma colher de pau, mexe o ensopadinho de verduras que faço para juntar à quinoa do almocinho de Inaê.
Que irônico. A cada parágrafo de Aristóteles sobre formas de governo, Cidade e cidadãos, uma e outra afirmação sobre a "inferioridade natural" da mulher, que justifica o poder paterno do marido sobre a esposa assim como a de um senhor sobre seus escravos. Sim, eu fazendo o almoço da minha menininha ao tempo em que leio o pai da filosofia prática me chamar de inferior.
Bem, o conforto é que, desconfio, de lá pra cá Aristóteles já andou mexendo muitas panelas, pra aprender.
Quem sabe hoje também é mãe de uma menininha e, espero, esteja a lhe ensinar a se virar nesse mundo machista.

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