sábado, 29 de dezembro de 2012
Retrospectiva Facebook
16/11/2012
Inaê, quando eu coloquei uma saia bem surradinha que adoro vestir em casa:
- Mãe, você comprou essa saia quando era adolescente, né?
8/11/2012
Anteontem eu ensinava Inaê a andar de bicicleta. A rua é ruim e Inaê olha dispersa pra todos os lados, não era fácil ter equilíbrio.
- Minha filha! – parei, pra dizer – Preste atenção no seu caminho. Se você ficar olhando pra todos os lados, não vai ter equilíbrio. Firme seus olhos no caminho que você quer fazer com a bicicleta e siga por ele.
Ela escuta e faz uns três segundos de silêncio. Continua a pedalar e diz (juro que ela disse e-xa-ta-men-te isso!):
- Tá, mãe. É que nem o caminho da vida, né? A pessoa olha o caminho que quer seguir pra melhorar e vai... ou pra piorar, se é o que a pessoa quer, né?
#dandocerto
24/10/2012
Conversa com Inaê, 23 de outubro, em sua caminha antes de dormir.
- Mãe, meninos brincam de boneca?, pergunta acariciando um boneco de pano.
- Se quiserem brincam, filha.
- Mas é que eu acho brincar de boneca uma coisa de menina.
- É a nossa cultura que diz isso.... porque as pessoas acham que homem adulto não pode cuidar de crianças. Quem sabem, se os meninos brincassem mais de bonequinhos, os pais cuidariam melhor dos filhos?
Inaê faz uma cara pensativa.
- É, mãe... as coisas têm que melhorar.
8/10/2012
Aconteceu por ocasião das eleições municipais. Um candidato, Geraldo Júlio, se exaltava tanto pelo que tinha e pelo que não tinha feito que virou jargão cômico dizer, de qualquer acontecimento, “foi Geraldo que fez”.
Quando Inaê chegou nesse dia da escola, eu tive de lhe explicar porque um só um canal passa ao mesmo tempo três tevês; e que naquele dia não estava passando os desenhos de sua programação infantil diária, porque a programação estava por conta de outra tevê, sem aviso nem explicação.
Inaê, indignada:
- Eita, mãe, será que foi Geraldo que fez isso?
5/10/12
Inaê, em 4 de outubro, inspirada. Na hora do almoço, após meu agradecimento pelo alimento, deu-lhe um estalo:
- Mãe, quem foram os primeiros humanos?
- Mãe, com o quê Deus fez os humanos?
- Mãe, como Deus fez a carne da gente?
- E depois ele colocou o espírito dentro?
Pense...
5/02/2012
Sexta-feira Inaê assistia Dora Aventureira. Dora chega na vila em que um bruxo aprisionou todos os instrumentos musicais do lugar. Dora disse: “Oh, não! Vamos ter de encontrar os instrumentos e trazê-los de volta!”. Nesse momento, ela olhou para frente, como se conversasse com a criança que assistia: “Você pode procurar os instrumentos comigo?”
Inaê responde, enfadada:
- Não, sinto muito. Estou apenas assistindo.
3/02/12
Ontem à tarde comprei duas toalhas plásticas, tipo jogo americano, com desenhos bonitinhos pra Inaê. Disse:
- Olha, Inaê, né bonitinho? Um é pra vc, outro pra visitante... Juju (a prima), Amarílis (amiga)...
Ela:
- Ou Evelyn (amiga).
- É... pra visitante.
Então ela me chama atenção:
- Ou pra visitonto, né, mãe? Pode ser menino também.
02/08/11
Terça-feira. Levando Inaê ao balé, subimos no ônibus. Peço ao cobrador para descer pela frente mesmo, porque descerei apenas duas paradas depois. Sentando na parte da frente completamente vazia, ponho Inaê no colo, que me olha intrigada. Lembrando das tantas vezes que lhe disse que aquele lugar é dos idosos, ela investiga meu rosto e saca essa: "Você tá ficando velhinha, né, mãe?".
12/07/11
Inaê me acordando hoje, depois de um mês de intenso trabalho-estudo-viagens-estudo-trabalho: "mamãe, você dormiu de sombra! (maquiagem)". Eu, sonolenta: "não, minha filha, dormi de sombra não....". Ela: "então o que é isso roxo?" (passando o dedinho nas minhas olheiras)....
07/07/11
Inaê, hoje antes de dormir: "Mamãe, tenho medo que na minha imaginação...dentro do meu 'célebro'...[reforçando, apontanto a cabecinha] dentro do meu 'célebro' apareça um pesadelo ruim". Eu: "Pra isso que a gente precisa pensar em coisas boas antes de dormir...é bom rezar e pensar numa coisa boa! Como o que vc gosta de fazer...do que vc gosta?". Inaê [já sorrindo]: "Hum...chocolate!".
30/09/11
Inaê me convencendo hoje a comprar mais uma bolinha que pula: "Mãe, a gente pode comprar mais pula-pula, que aquelas se perderam...saíram pulando, foram pra fora de casa e...e...saíram pulando, uma foi pra Itamaracá e outra foi pra Quipapá".
09/09/11
Inaê agora à noite veio me contar de um sonho seu. "Mãe, sonhei que estava voando na cadeirinha do balé. Eu voava e gritava: 'mãe, tô voando!'. Aí você não fazia uma cara muito boa...".
04/09/11
Inaê ganhou uma vaquinha de cerâmica e se apegou muito a ela. Mas a bichinha caiu no chão e se quebrou. A tia colou na primeira vez, só que caiu uma segunda e não teve jeito. Quis jogar os caquinhos fora mas ela não deixou, ficou segurando os cacos por mais de uma semana. Aproveitando hoje que ela estava meio esquecida, joguei fora os caquinhos, mas não tive cuidado de ocultar na lixeira. Resultado: ao ver os cacos no lixo, reclamou, chorosa e veementemente. Tentei explicar: "mas minha filha, os caquinhos podiam lhe machucar...ia doer em você". E ela, bradando: "Mais pior é a dor no coração!". Ô...
22/09/11
Após o episódio da vaquinha de porcelana, comecei a tentar ensinar o desapego pra Inaê (aprendendo também....). Hoje ela quis mostrar que havia entendido. No café da manhã, fui lhe dar um guardanapo mas acabei derrubando os poucos restantes no chão, então emiti um "ah..." de lamento. Ela então começou a lição: "mãe, não se apegue às coisas que quebram, rasgam, vão embora...por exemplo, se um copo meu cai e quebra e eu choro, isso é apegar, né?". Nesse instante ela olhou pra caneca de vaquinha em que bebia seu leite de aveia e o agarrou com as duas mãos: "Mas ESSE copo meu eu não vou perder NUNCA, NUNCA, NUNCA!".
28/06/11
Depois de soltar chuvinhas e traques de massa na "festinha" de S. Pedro com Inaê (teve festa na Várzea!), fui preparar um munguzá (pré-pronto, né, não sou tão prendada). Falei em voz alta os ingredientes e me pus a mexer, mexer...depois de um tempo, Inaê, que me observava sentada em seu banquinho, perguntou se eu havia esquecido de colocar o chá no munguzá.
Cozinheiras(os) entenderão a graça ;).
02/06/11
Inaê em sua busca por um animal de estimação:
- Mãe, eu quero um elefante. Ele faz muito cocô?
domingo, 11 de março de 2012
Campanha para um(a) irmã(o)
Inaê, no período do dia internacional da mulher de 2011, fez um trabalho escolar que precisava de imagens de mulheres. Fui na internet e, claro, peguei imagens de pedreiras, agricultoras e políticas. Ela olhou todas e a que mais lhe chamou atenção, pelos capacetes, foi a das pedreiras. Perguntou o que faziam. Expliquei que construíam casas. Isso a encantou de um modo que desde então ela diz que será pedreira e que construirá a casa da tia Brígida, da avó...mais recentemente, acrescentou ao ofício o trabalho de jardineira também. Pedreira e jardineira.
Bem, mas falo isso tudo porque, apesar da manifesta intenção profissional, o que ela mais adora fazer é arte. Interpreta, dança, canta e desenha maravilhosamente (digo isso não é porque sou mãe não, viu? É verdade!).
Mais recentemente, porém, vejo como ela é uma boa propagadora de ideias; não só as têm brilhantemente (tá, exagerar é parte da função materna), como trabalha por fazê-las convincentes.
Há alguns dias, vem exercitando esse talento na campanha de ter uma irmãzinha ou um irmãozinho, que tá até me convencendo. Algumas de suas frases, ditas nos dois derradeiros dias:
- Mãe, "felicidade é..." (tema de um livrinho dela) ... ter um
irmãozinho menor para brincar.
- Mãe, estou com muita, muita saudade da minha irmãzinha que ainda não
encarnou...
- Mãe, é bom vc ter meu irmãozinho logo, pra ele me conhecer ainda pequena, né?
- Mãe, é bom vc ter meu irmãozinho pra dar tempo dele dançar comigo no
São João...
Faz sentido, né? :)
Bem, mas falo isso tudo porque, apesar da manifesta intenção profissional, o que ela mais adora fazer é arte. Interpreta, dança, canta e desenha maravilhosamente (digo isso não é porque sou mãe não, viu? É verdade!).
Mais recentemente, porém, vejo como ela é uma boa propagadora de ideias; não só as têm brilhantemente (tá, exagerar é parte da função materna), como trabalha por fazê-las convincentes.
Há alguns dias, vem exercitando esse talento na campanha de ter uma irmãzinha ou um irmãozinho, que tá até me convencendo. Algumas de suas frases, ditas nos dois derradeiros dias:
- Mãe, "felicidade é..." (tema de um livrinho dela) ... ter um
irmãozinho menor para brincar.
- Mãe, estou com muita, muita saudade da minha irmãzinha que ainda não
encarnou...
- Mãe, é bom vc ter meu irmãozinho logo, pra ele me conhecer ainda pequena, né?
- Mãe, é bom vc ter meu irmãozinho pra dar tempo dele dançar comigo no
São João...
Faz sentido, né? :)
quinta-feira, 8 de março de 2012
Alimento para o Espírito
Em 15 de fevereir de 2012...
Ontem, Inaê falou da música "Ai se eu te pego" rindo muito. Eu conversei tranquilamente com ela, explicando, no entendimento dela, de que o que parecia brincadeira era desrespeito. Falei que era um homem faltando com o respeito a uma mulher, procurando explicar minimamente porque eu não quero que ela cante aquilo. Usei a velha expressão, sim: "é feio". Não podemos fazer muito diferente com as crianças que ainda não entendem o conteúdo barato e apelativo daquelas porcarias. Mas acho que expliquei a contento, porque ela arregalou os olhos e disse: "entendi...".
Depois ela me perguntou se aquela "minha mulher não deixa não" era feia também. Eu expliquei que ela não falava de coisas feias, mas era uma música que não alimentava o espírito. Daí eu disse que havia músicas que não deixavam ninguém melhor do que é, não alimentavam a alma, o espírito, nem o coração.
- E que música alimenta o espírito?
- Ah...as músicas de Flavia Wenceslau... de Xangai... Renato Teixeira...
- Então coloca essas pra gente ouvir!
E quando eu ia colocando o cd de Flavia, ela continuou a querer saber:
- O desenho de Ursinho Pooh alimenta o espírito?
- Sim, Ursinho Pooh sempre fala de coisas boas, como a amizade.
Um breve silêncio.
- Mamãe, sorvete e chocolate quente...alimentam...o espírito?!
Ontem, Inaê falou da música "Ai se eu te pego" rindo muito. Eu conversei tranquilamente com ela, explicando, no entendimento dela, de que o que parecia brincadeira era desrespeito. Falei que era um homem faltando com o respeito a uma mulher, procurando explicar minimamente porque eu não quero que ela cante aquilo. Usei a velha expressão, sim: "é feio". Não podemos fazer muito diferente com as crianças que ainda não entendem o conteúdo barato e apelativo daquelas porcarias. Mas acho que expliquei a contento, porque ela arregalou os olhos e disse: "entendi...".
Depois ela me perguntou se aquela "minha mulher não deixa não" era feia também. Eu expliquei que ela não falava de coisas feias, mas era uma música que não alimentava o espírito. Daí eu disse que havia músicas que não deixavam ninguém melhor do que é, não alimentavam a alma, o espírito, nem o coração.
- E que música alimenta o espírito?
- Ah...as músicas de Flavia Wenceslau... de Xangai... Renato Teixeira...
- Então coloca essas pra gente ouvir!
E quando eu ia colocando o cd de Flavia, ela continuou a querer saber:
- O desenho de Ursinho Pooh alimenta o espírito?
- Sim, Ursinho Pooh sempre fala de coisas boas, como a amizade.
Um breve silêncio.
- Mamãe, sorvete e chocolate quente...alimentam...o espírito?!
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