Nesses dias, Inaê estava brincando e, enquanto isso, contando até dez. Passou do dez e continuou, demonstrando sua nova habilidade:
- Onze, doze, treze, catorze, quinze, dezesseis, dezessete, dezoito, dezenove... - parou um pouco, pensou e... - dezedez!
E foi seguindo:
- Dezeonze, dezedoze, dezetreze...
quarta-feira, 27 de outubro de 2010
sexta-feira, 22 de outubro de 2010
Três anos
Ontem Inaê fez três anos. Dois dias antes de seu aniversário, deixou completamente as fraldas da noite. Já não usava fraldas durante o dia há dois anos, mas eu ainda resisti a retirar para dormir, afinal, ela só veio me deixar dormir uma noite inteira após os dois anos e sete meses de idade. Eu precisava saber, novamente, o que é dormir mais de quatro horas ininterruptas, embora que a qualidade do sono - já havia avisado a minha mãe - promete nunca mais ser a mesma.
Pois então que hoje faz três anos do primeiro grande susto de mãe. Inaê tinha um dia de vida, ainda menos que vinte e quatro horas de nascida; eu havia dado de mamar há poucos instantes, quando ela deu uma golfada grossa que saía pela boca e pelo nariz, não lhe dando espaço pra respirar. Vi, como numa câmera lenta, Inaê ficando roxinha... minha mãe estava perto e começou a chamar por Nossa Senhora, enquanto eu aplicava as técnicas que havia estudado minuciosamente durante a gestação. Ainda bem. Suguei seu nariz e boca, coloquei-a de costas, inclinada, sobre os meus joelhos, e dava tapinhas nas costas. E rezava, claro. Na minha cabeça, eu pensava somente que se ela morresse, eu morreria junto. Poucos instantes, ela chorou, para o meu alívio. Abracei-a e, desde então, agradeço profundamente ao Poder Superior cada instante de vida, saúde e paz que recebemos.
Inaê veio me ensinar, nesta vida, a ter cuidado com quem se ama e por quem somos amadas. Logo em seu primeiro mês de vida, tive recordações espontâneas de uma vida anterior a essa, e tudo que eu posso dizer é que pude compreender porque, ao seu primeiro instante junto a mim nesta vida, tive o sentimento de ter sido "sempre" a mãe de Inaê. Confirmei os pressentimentos, as sensações da pré-gestação; confirmei o sonho, durante a gravidez, que me mostrava como seria o seu rostinho e, principalmente, o brilho de seus olhos.
Inaê traz consigo um mistério de nosso amor que ainda não compreendi. Talvez não tenha de compreender; apenas sentir que aquilo que antes eu procurava exprimir em uma poesia hoje anda por suas próprias pernas, fala pelos cotovelos e aprendeu a perguntar "por quê".
A maternidade (e a paternidade também, obviamente)é a mais declarada manifestação do amor de Deus. É quando ele, esse amor, encarna para nos permitir subir mais um degrau dessa nossa caminhada - se soubermos, porém, receber com responsabilidade essa dádiva divina.
Parabéns, Inaê, meu pequeno grande amor. E grata, grata. Nos seus três aninhos, creio que quem mais cresceu fui eu.
Pois então que hoje faz três anos do primeiro grande susto de mãe. Inaê tinha um dia de vida, ainda menos que vinte e quatro horas de nascida; eu havia dado de mamar há poucos instantes, quando ela deu uma golfada grossa que saía pela boca e pelo nariz, não lhe dando espaço pra respirar. Vi, como numa câmera lenta, Inaê ficando roxinha... minha mãe estava perto e começou a chamar por Nossa Senhora, enquanto eu aplicava as técnicas que havia estudado minuciosamente durante a gestação. Ainda bem. Suguei seu nariz e boca, coloquei-a de costas, inclinada, sobre os meus joelhos, e dava tapinhas nas costas. E rezava, claro. Na minha cabeça, eu pensava somente que se ela morresse, eu morreria junto. Poucos instantes, ela chorou, para o meu alívio. Abracei-a e, desde então, agradeço profundamente ao Poder Superior cada instante de vida, saúde e paz que recebemos.
Inaê veio me ensinar, nesta vida, a ter cuidado com quem se ama e por quem somos amadas. Logo em seu primeiro mês de vida, tive recordações espontâneas de uma vida anterior a essa, e tudo que eu posso dizer é que pude compreender porque, ao seu primeiro instante junto a mim nesta vida, tive o sentimento de ter sido "sempre" a mãe de Inaê. Confirmei os pressentimentos, as sensações da pré-gestação; confirmei o sonho, durante a gravidez, que me mostrava como seria o seu rostinho e, principalmente, o brilho de seus olhos.
Inaê traz consigo um mistério de nosso amor que ainda não compreendi. Talvez não tenha de compreender; apenas sentir que aquilo que antes eu procurava exprimir em uma poesia hoje anda por suas próprias pernas, fala pelos cotovelos e aprendeu a perguntar "por quê".
A maternidade (e a paternidade também, obviamente)é a mais declarada manifestação do amor de Deus. É quando ele, esse amor, encarna para nos permitir subir mais um degrau dessa nossa caminhada - se soubermos, porém, receber com responsabilidade essa dádiva divina.
Parabéns, Inaê, meu pequeno grande amor. E grata, grata. Nos seus três aninhos, creio que quem mais cresceu fui eu.
Amanhã...
Há dois dias, Inaê e eu chegamos à porta do elevador. Esperando-o, ela me conta que "amanhã ele quebrou...". Eu explico: "ontem ele quebrou, filha. Ontem. Amanhã é o que ainda vai acontecer". Ela me olha séria, reflete e pergunta: "Amanhã isso vai acontecer de novo, mãe?".
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