Depois de um ano e três meses, volto às ruas. Até então foi um período de casulo, com algumas poucas saídas, mas sempre mantendo a preferência da integralidade junto à Inaê. Trabalhando em casa, já fiquei de certa forma distante da filhota, ouvindo as brincadeiras com a babá, os choros, os chamados, enquanto estudava ou escrevia no escritório. Mas sempre com os ouvidos atentos, para socorrê-la, abraçá-la na carência, dar o peito, brincar um pouco, perceber que a água secava na panela.
Agora volto a trabalhar fora, e não foi sem uma certa dramaticidade que olhei para ela durante todo o dia de hoje, me preparando para a próxima semana em que a "separação" ocorre oficialmente. Sim, chorei. Esse é um misto de dó e alegria; alegria não somente pela questão profissional a ser desenvolvida, como pela necessidade financeira parcialmente resolvida, mas sobretudo pela necessidade de permiti-la fortalecer para nosso convívio mãe-e-filha, nosso reconhecimento, nossa prática amorosa. Afinal, Inaê tem uma mãe trabalhadora, para além da sua função materna e de dona-de-casa. Sou, também, assalariada, estudante, buscante, inventante de projetos, idéias, novidades, e ela deverá me conhecer assim, inclusive para receber meus exemplos. E a roda gira, e o mundo continua, e as crianças crescem.
O meu amor por essa menininha preciosa vem bravamente encontrando formas de deixá-la crescer - afinal, já saiu da minha barriga há um ano e três meses...
quinta-feira, 29 de janeiro de 2009
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