quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Glossário de Mãe Coruja

Inaê, 1 ano e 1 mês. Chama:
mamãe-a (depois que entendeu que titi é titi-a, só quer me chamar de mamãe-a);
titi-a;
bobó (vovó);
bobó 2 (bola, a mesma coisa);
ábua (água, sua palavra preferida);
ômi (o "homem da bicicleta", que vemos passar pela janela);
iz (nariz);
mbia (umbigo);
man (banho);
eite (leite, da mamãe, claro, também chama assim os meus peitos);
Eide (Leide, a babá);
Aaana (Ana, a babá do priminho);
Bubu (Juju, a priminha);
oufffisz (orelha ou ouvido, não sei bem ainda...);
tau (tchau);
Dedé (o zelador do prédio, seu Dudé);
neném (fotos, crianças, pessoas passando);
txitxi (xixi, quando faz ou quando vê o peniquinho);
tente (pente);
naum (não, ainda mostrando o dedinho indicador);
ábi (chave);
menini-a (menininha);
ua (lua);
aií (ali);
athi (aqui);
bô (acabou, quando terminou o almoço ou não quer comer mais);
au-au (cachorro, né?);
aubo (óculos).

sábado, 15 de novembro de 2008

Das Fadas e Megeras

Ser mãe é, entre outras coisas, escrever um livro cotidianamente. Cada situação nova é uma crônica diária, cada beijinho uma poesia, cada aprendizado um conto. É também viver um conto-de-fadas europeu - não somente com as suas fantasias cor-de-rosa, mas inclusive o terror das megerices das bruxas más que sempre assustam a bela princesa.
Não é que essa é uma constatação que me pegou de surpresa?
Soube a um trocar de fraldas. Inaê, como desde os oito meses, ao ver que terá a fralda trocada começa a espernear, gritando desesperada como se algo terrível lhe fosse acontecer. Fico rindo, brincando, dizendo-lhe palavras de tranqüilização. Mas ela, naquele dia, debatia-se com um desespero, batendo as pernas, saindo da birra para adentrar ao cenário do ataque histérico. Epa, peraí. Minha filha não vai ficar me dominando ao bater dos pés, não senhora.
Começo a ficar séria, sizuda, e a lhe dizer com firmeza para ficar um pouquinho só parada pra eu limpá-la e colocar uma fralda novinha e seca.Ela começa a me desafiar, jogando-se para os lados, no que eu tenho de segurá-la com força para que não caia do alto trocador. Chego ao ponto, portanto, de ter de imobilizar suas pernas com o braço, enquanto de cara feia por aquela sua atitude histérica, continuo a ralhar com a menininha de como aquilo que ela fazia era feio e não ajudava mamãe a lhe deixar sequinha e cheirosa, sem assaduras.
Ao final, vencida, ela já faz um chorinho manso, verdadeiro, e ao pegá-la no colo afunda a cabeça no meu ombro. Isso me faz arrepender da força física usada para segurar suas pernas, da impaciência no meu tom de voz, da cara feia; do arrependimento, vem a vontade de abraçá-la, o que faço lamentando por minha impaciência e pedindo a ela que me ajudasse a fazer aquilo sem brigas. Logo depois ela dorme, e eu, assustada, percebi os elementos do conto-de-fadas: eu havia, ali, me transformado em uma verdadeira bruxa-megera!
Coloquei Inaê no bercinho, afaguei seus cabelos, disse o quanto a amo e cerrei o mosquiteiro. E fiquei pronta para, quando ela acordasse, recebê-la com um sorriso de fada-mãe e um abraço pacificador.